Redução da jornada de trabalho pode gerar 4,5 milhões de empregos no Brasil

A Revista Brasileira de Economia Social e do Trabalho (2025) publicou um estudo relevante elaborado por pesquisadores do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), vinculado à Universidade Estadual de Campinas, que questiona a tese de que o fim da escala 6×1 provocaria uma “quebra da economia”.
Os dados indicam que a redução média de quatro horas na jornada semanal no Brasil poderá gerar cerca de 4,5 milhões de novos postos de trabalho e elevar a produtividade por hora em aproximadamente 4%. A pesquisa integra o “Dossiê 6×1”, que reúne 37 estudos organizados pelo Cesit em parceria com a Rede de Estudos e Monitoramento Interdisciplinar da Reforma Trabalhista (Remir) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Os cálculos dos pesquisadores apontam três possíveis caminhos de impacto econômico positivo:
Ganho de produtividade: trabalhadores produzem mais em menos horas;
Novas contratações: abertura de vagas para suprir escalas reduzidas;
Cenário híbrido: combinação entre eficiência e geração de empregos. Cenário que resultaria nos 4,5 milhões de postos projetados, principalmente nos setores de comércio e serviços.
Com base nessas evidências, a análise rebate projeções alarmistas de entidades como a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, que sugeriram possíveis quedas do PIB ou riscos de insolvência econômica.
Paralelamente, a campanha pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho tem ganhado força nos últimos meses. No Congresso, tramitam propostas como a PEC 8/2025, de autoria da deputada Erika Hilton, que prevê jornada de 36 horas distribuídas em quatro dias sem redução salarial, e a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes, que também estabelece limite de 36 horas semanais com implementação gradual.



