MCO realiza cirurgia fetal inédita no Norte-Nordeste
A Maternidade Climério de Oliveira (MCO) realizou a primeira cirurgia fetal para correção de mielomeningocele no Norte-Nordeste. Com a realização da intervenção cirúrgica, conhecida como Cirurgia Fetal a Céu aberto que consiste na operação do feto ainda dentro do útero da mãe, a MCO dá um importante passo para a assistência materno-infantil na Bahia.
A Cirurgia Fetal a Céu Aberto foi realizada no último dia 28, e durou cerca de três horas. Os médicos expuseram o útero da mãe, operaram o feto com as costas parcialmente expostas, depois colocaram o bebê novamente dentro da cavidade uterina. A paciente deve ficar pelo menos mais 5 dias na maternidade para observação, e só então receberá alta para aguardar em casa o nascimento do filho.
“São dois tempos cirúrgicos. O primeiro, do obstetra, que faz a exposição do útero, seguida de uma incisão para expor a lesão nas costas do bebê. Depois, entra o neurocirurgião que faz a correção do defeito fetal. Fazendo a cirurgia fetal, você permite melhorar o desenvolvimento motor do bebê, aumentando as chances daquela criança caminhar, diminuindo a necessidade de cirurgias após o nascimento e, sobretudo, melhorando a qualidade de vida do pequeno paciente”, explica José Roberto Tude, neurocirurgião que executou a correção da mielomeningocele.
Pioneirismo e esperança
Esta foi a primeira mãe beneficiada pelo procedimento em toda Bahia, nos 104 anos de funcionamento da Maternidade Climério de Oliveira, apesar de outros casos já terem sido diagnosticados. A Bahia é o 4º Estado em incidência de mielomenigocele, mas muitos não são tratados por falta da oferta do serviço. No Brasil, mais de 100 cirurgias fetais já foram feitas entre os anos de 2003 e 2014, uma média de 10 por ano.
A técnica veio dos Estados Unidos e, até então, só era realizada em São Paulo. Estudos revelam que um a cada mil nascidos vivos tem a doença, sendo registrados 3 mil casos por ano no Brasil. Deste total, de 15% a 30% morrem nos primeiros 5 anos de vida. A doença pode ser evitável se a mulher fizer uso do ácido fólico de dois a três meses antes da gestação e nos primeiros três meses da gravidez. O suplemento, que é distribuído em postos da rede pública de saúde, previne 70% da incidência da doença.
Com informações da MCO



