Brasileiro reconhece racismo, mas tem dificuldade de enxergá-lo no dia-a-dia, aponta pesquisa

Dados da pesquisa Percepções sobre o racismo no Brasil, realizada pelo Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), com abrangência em todo território nacional, compreendendo 127 municípios das cinco regiões do país e 2 mil pessoas ouvidas ao longo do mês de abril – sob encomenda do Instituto de Referência Negra Peregum e do Projeto Seta (Sistema de Educação por uma Transformação Antirracista) – mostram o que muitos de nós já sabemos: o problema do racismo é instucionalizado no Brasil, porém poucos são capazes de enxergá-lo ou admití-lo em âmbito pessoal.
A população é capaz de reconhecer que o racismo existe, como aponta a porcentagem da avaliação de que pessoas pretas são as que mais sofrem com o racismo, incríveis nove em cada 10 pessoas (96%), quase uma unanimidade. Também é expressivo o número daquelas que concordam com o fato de que pessoas negras acabam sendo mais criminalizadas do que brancas no país, cerca de 88% dos entrevistados. Entre outros quesitos, a maioria também concorda sem nenhuma ressalva que o Brasil é um país racista (60%).
Porém, os números caem consideravelmente quando as perguntas se voltam ao campo pessoal, como o ambiente familiar ou de trabalho. Apenas 11% reconhecem cometer atos ou ter atitudes racistas e só 10% afirmam trabalhar em instituições racistas. Os que apontam familiares como indíviduos que praticam racismo somam somente 12%; os que identificam pessoas de seu círculo como possivelmente racistas, 36%; e aqueles que declaram estudar em instituições de ensino em que o racismo está enraizado chegam apenas a 13%.
O que o estudo conclui é que os brasileiros parecem ser incapazes de reconhecer como o racismo se materializa na rotina, no dia a dia, que vai além de uma noção coletiva: é também uma dimensão individual. O problema também permeia os espaços públicos e privados, e através deles se dissemina coletivamente.



