Número de feminícidios bateu recorde no Brasil em 2025

Em 2025, o Brasil registrou 1.470 casos de feminícidios entre janeiro e dezembro, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número superou os 1.464 registrados em 2024, confirmando um novo recorde deste tipo de crime no país.

Neste cenário alarmante, os dados indicam que, no ano passado cerca de quatro mulheres foram mortas por dia em razão do gênero. O total ainda pode ser atualizado, uma vez que os dados referentes ao estado de São Paulo ainda não foram atualizados na base do governo federal.

Mesmo assim, São Paulo lidera o ranking com 233 casos, seguido por Minas Gerais (139), Rio de Janeiro (104) e Bahia (103).

Desde 2015, o Brasil adota a tipificação penal do feminicídio, que caracteriza o crime quando a mulher é assassinada pelo fato de ser mulher. Naquele ano, 525 mulheres foram mortas nessas circunstâncias. Em um intervalo de 10 anos, o número de casos cresceu 316% em comparação aos registros de 2025.

Mais de 80% dos feminicídios são cometidos por companheiros, ex-companheiros ou namorados das vítimas. Um exemplo é o caso de Tainara Souza Santos, de 31 anos, moradora de São Paulo, que foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê pelo ex-ficante. Ela permaneceu internada em estado grave por mais de um mês, mas não resistiu aos ferimentos.

Na Bahia, em Nova Viçosa, Jéssica dos Santos Ferreira, de 26 anos, grávida de oito semanas, foi assassinada dentro de casa. O principal suspeito é o companheiro. A violência resultou na morte de Jéssica e do feto, e o caso é investigado como feminicídio e aborto.

Em outubro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de Lei nº 4.266/2023, que torna o feminicídio um crime autônomo e amplia a pena para o maior patamar previsto no Código Penal, podendo chegar a até 40 anos de prisão.