Dia Internacional dos Direitos Humanos expõe as contradições do sistema capitalista

O capitalismo, enquanto sistema econômico, sustenta-se na acumulação de riquezas e na exploração da força de trabalho, o que frequentemente entra em choque direto com os princípios fundamentais dos direitos humanos.
A contradição central reside no fato de que ele prioriza o lucro e a propriedade privada acima das necessidades humanas e da dignidade coletiva, o que gera desigualdades que inviabilizam o acesso universal a direitos básicos.
Um exemplo disto é o trabalho escravo. Segundo o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), no Brasil, mais de 63,5 mil trabalhadores foram resgatados desde 1995. Em 2023, o país registrou o maior número de pessoas retiradas de condições análogas à escravidão no campo, com 2.663 vítimas.
No dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado no dia 10 de dezembro, é preciso relembrar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que, por exemplo, garante o direito à educação, à saúde, ao trabalho digno e à igualdade.
No entanto, não é isto que acontece e, sim, uma lógica de exclusão, com a educação e a saúde sendo transformadas em mercadorias, inacessíveis para a maioria da população. O estudo do IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), que aponta que 34% dos brasileiros não têm acesso à atenção básica de saúde.
Outro exemplo perverso é de que enquanto cinco homens acumulam riquezas inimagináveis, em um ritmo que desafia qualquer lógica moral, metade da população mundial enfrenta a redução de seus já escassos recursos.
O aumento de 114% na riqueza de bilionários desde 2020, período marcado por uma pandemia global que aprofundou crises econômicas e sociais, é especialmente desolador.
Além disto, a previsão de que o mundo pode ter seu primeiro trilionário na próxima década contrasta de forma grotesca com os 230 anos estimados para acabar com a pobreza extrema.



