É preciso combater o racismo estrutural

O racismo estrutural é um aparato do Estado burguês, um aparelho de repressão cuja legitimidade se sustenta na violência. Dentro desse cenário de brutalidade estatal, o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial relembra um dos capítulos mais cruéis da supremacia branca, o Massacre de Sharpeville, na África do Sul.
Em 21 de março de 1960, 69 pessoas foram assassinadas pela polícia por ousarem protestar pacificamente contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a portar um documento delimitando onde poderiam circular. Uma medida explícita de segregação racial, sustentada pela força letal do Estado.
A educação é a principal forma de combater o racismo estrutural, e com muita luta pelos movimentos sindical e social, a população negra tem conseguido acessar o ensino superior.
O número de estudantes negros em universidades federais do Brasil passou de 17% para 49% em 13 anos. Em 2009, eram 135,1 mil estudantes negros, quantitativo que subiu para 515,7 mil em 2022. Os dados são de pesquisadores do SoU Ciência (Centro de Estudos, Sociedade, Universidade e Ciência), vinculado à Unifesp – Universidade Federal de São Paulo.
Políticas públicas voltadas à população negra, que desde sempre foi marginalizada pelas elites brancas do mundo inteiro, é de extrema importância. A Lei de Cotas, por exemplo, é responsável por este aumento no acesso à educação e formação de profissionais de pessoas negras.
Segundo dados, Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), as matrículas de estudantes por cota racial no ensino superior federal cresceram 266,4% de 2012 a 2023, com a implementação da política de cotas.
Além disto, a taxa de pessoas que concluíram o ensino superior também aumentou, passando de 1.780, em 2012, para 26.151 em 2023, um salto de 1.369,2%.



