Dois anos de covid-19: a maior crise sanitária e hospitalar da história do Brasil

Dois anos se passaram. A pandemia foi decretada oficialmente em todo o mundo no dia 11 de março. Desde então, o Brasil ocupou por várias vezes o posto de epicentro da doença. A história é marcada pelo descaso e negacionismo do governo Jair Bolsonaro. Campanhas contra vacinas, desdém com a gravida da crise sanitária, escândalos de corrupção envolvendo a gestão federal, quatro ministros da Saúde. Apenas alguns dos fatores que levaram o país a ser o segundo do mundo vítimas da covid-19. Em 2021, ano de maior impacto da doença, fomos o país líder em mortes causadas pelo coronavírus. Isso, sem levar em conta ampla subnotificação, resultado de descaso e caos nos sistemas federais de controle epidemiológico e enfrentamento ao vírus.

Pior dos mundos

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e entidade referência em epidemiologia, destaca que morrem quatro vezes mais infectados no Brasil do que a média global. Tragédia anunciada, fruto de apostas contra a ciência do governo federal, como a defesa intransigente de medicamentos comprovadamente ineficazes contra o vírus, como cloroquina e ivermectina.

As fases nos dois anos

Todo o cenário da maior tragédia sanitária e hospitalar da história do Brasil evoluiu em algumas etapas, segundo a Fiocruz. Primeiro, foi a da expansão da transmissão das capitais para as cidades menores (fevereiro a maio de 2020). Em seguida veio a primeira onda e sincronização da transmissão no país (junho a agosto de 2020). Após esse período, veio a transição entre primeira e segunda ondas (setembro a novembro de 2020) e a segunda onda propriamente dita (dezembro de 2020 a junho de 2021). Finalmente, vieram os impactos positivos da campanha de vacinação (julho a novembro de 2021) e a atual terceira onda, iniciada em dezembro de 2021.

A Fiocruz destaca o nítido sucesso da vacinação, apesar da resistência e das muitas tentativas de boicote pelo governo Bolsonaro. Contudo, a entidade lamenta a desigualdade regional na distribuição dos imunizantes, assim como ocorre também em outros países. “Em meio à pandemia, problemas que deveriam ter sido enfrentados antes, para trazer mais equidade e eficiência ao processo de imunização, podem tornar populações com baixa taxa de cobertura mais vulneráveis e permitir o surgimento de novas variantes, como observado em áreas mais pobres do continente africano”, afirma a entidade.

Segunda onda e vacinas

O descaso com o distanciamento físico, as festas de fim de ano (de 2020), a falta de cuidados do governo federal e a chegada do período de férias culminaram no pior período da pandemia para os brasileiros.

O colapso da saúde foi geral. Em todos os estados do país não haviam leitos disponíveis para atender a demanda de doentes. Filas para atendimento básico e pessoas morrendo sem que sequer recebessem um primeiro atendimento hospitalar.

No dia 17 de janeiro de 2021 a vacinação começou em São Paulo. O Instituto Butantan, em parceria com a chinesa Sinovac desenvolveu o imunizante CoronaVac. O primeiro lote entregue foi pequeno, de 6,2 milhões de doses. Em março, chegaram mais 27,5 milhões de doses, o que acelerou o processo, especialmente em São Paulo, mas também com distribuição de doses para outros estados. Este avanço, entretanto, foi tímido diante da necessidade do país, que entre março e junho, viveu os piores dias da pandemia até aqui.

No dia 17 de janeiro de 2021 a vacinação começou em São Paulo. O Instituto Butantan, em parceria com a chinesa Sinovac desenvolveu o imunizante CoronaVac. O primeiro lote entregue foi pequeno, de 6,2 milhões de doses. Em março, chegaram mais 27,5 milhões de doses, o que acelerou o processo, especialmente em São Paulo, mas também com distribuição de doses para outros estados. Este avanço, entretanto, foi tímido diante da necessidade do país, que entre março e junho, viveu os piores dias da pandemia até aqui.

Por Gabriel Valery | RBA