Mais de 2.500 pessoas foram resgatadas do trabalho escravo só em 2023 | Número é recorde

O Ministério do Trabalho e Emprego revelou que, só em 2023, dos meses de janeiro até outubro, o Brasil resgatou 2.592 pessoas, o maior número de trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão da última década. Os dados podem assustar por mostrarem que, ainda hoje, esse tipo de exploração continua à todo vapor no país, porém, também apontam para um combate mais efetivo por parte do Governo Federal.

Analisando dados de 2022, quando foram encontradas 2.587  pessoas exercendo trabalho análogo à escravidão, 92%, eram homens, sendo 83% autodeclarados negros ou pardos, 15% brancos e 2% indígenas. Além disso, 51% residiam na região Nordeste e outros 58% eram naturais dessa região. O aumento da fome e da pobreza, agravado pelos últimos dois governos, contribuiu diretamente para a piora no quadro.

O recolhimento de informações a respeito do problema teve início em 1995. Desde então, cerca de 61.711 pessoas foram encontradas nessas condições pela Inspeção do Trabalho. Nos últimos 10 anos, 85% dos trabalhadores resgatados eram do campo, com destaque para as culturas de café e cana de açúcar. No panorama, três municípios ocupam o pódio com o maior número de autos de infração registrados: São Felix do Xingu (1.170), São Paulo (1.018) e Marabá (575).

O combate à esse tipo de prático é um dos pontos centrais do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Entre outras iniciativas, no final de setembro, os presidentes do Brasil e dos EUA, Joe Biden, lançaram um manifesto intitulado “Coalizão Global pelo Trabalho”, resultante de uma parceria inédita para promover a dignidade da classe trabalhadora.