Periferias de Salvador com maior concentração de pessoas negras e pobres são regiões vulneráveis para a Covid-19, aponta estudo

Regiões periféricas de Salvador, marcadas pela falta de infraestrutura e predominadas pela população negra e pobre, possuem maior vulnerabilidade para a Covid-19, aponta pesquisa. Como, por exemplo, o novo bairro de Cassange, que lidera o ranking, seguido por São Tomé, Alto das Pombas, Nova Esperança, Pero Vaz, Calçada, Fazenda Coutos, Sete de Abril, Santo Antônio e Alto da Terezinha.
O estudo levou em conta aspectos sociais, demográficos e epidemiológicos como, analfabetismo, raça, acesso à rede de distribuição de água, coleta de lixo, número de pessoas por domicílio e taxa geral de mortalidade da população.
Em contraponto, locais com menores riscos para a Covid-19 são chamadas de “regiões da orla”, onde há maior concentração de pessoas brancas, de alta e média renda, que recebem mais investimentos públicos e possuem melhor infraestrutura urbana e acesso a serviços.
O estudo aponta que Itaigara é o bairro estimado com a menor vulnerabilidade para a doença em Salvador, seguido de Amaralina, Narandiba, Centro, Doron, Resgate, Patamares, Pituba, Cajazeiras II e Caminho das Árvores.
“Esta distribuição sinaliza a presença de marcantes desigualdades relacionadas às condições de vida e saúde, que precisam atenção especial da administração pública, mesmo no planejamento de estratégias para a prevenção e controle de epidemias, como a Covid-19”, alerta Márcio Natividade, professor do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA e coordenador do projeto.
O levantamento é baseado em dados preliminares do novo Índice de Vulnerabilidade Epidêmica (IVE), criado por um grupo de pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da UFBA, Faculdade de Medicina da UFBA, Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e Universidade Estadual da Georgia (Atlanta – Estados Unidos), com apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador.



